Acesse outros veículos da Rede de Mídias!

GONÇALO ANTUNES DE BARROS

Paz e guerra

Já ouviram falar em guerra assimétrica? Provavelmente seu conceito e dimensão ainda seja novidade à maioria dos leitores deste espaço. Olavo de Carvalho (um pensador de direita; por que, não?), em artigo de 2004, assim definiu:

‘Inspirada na Arte da Guerra de Sun-Tzu, a Guerra Assimétrica consiste em dar tacitamente a um dos lados beligerantes o direito absoluto de usar de todos os meios de ação, por mais vis e criminosos, explorando ao mesmo tempo como ardil estratégico os compromissos morais e legais que amarram as mãos do adversário’ (O Globo).

O que se caminha no país atual é para algo bem parecido, exceção para o caráter transnacional e outras especificidades. Não há uma declaração formal de guerra, também não aparenta levante civil, mas há infiltração de conceitos ideológicos e políticos, sem campo pré-determinado de ação, aproveitando-se da ineficiência estatal e da crise de autoridade, restando tipo bem próximo da Guerra Irregular.

O Rio de Janeiro há anos passa por problemas relacionados à segurança pública que bem poderiam ser conceituados por Guerra Irregular, mas de um povo contra seu próprio povo. O Brasil cunhou um novo conceito de insurreição para os manuais de guerra.

Leia Também:  TJMT suspende Plano de Retorno às Atividades Presenciais em Brasnorte

Já ouviram falar em guerra assimétrica? Provavelmente seu conceito e dimensão ainda seja novidade

De Publius Flavius V. Renatus (Séc. V/IV a.C.)- ‘Si vis pacem, para bellum’(Se quer paz, prepara-se para a guerra).

O problema disso tudo é que nem a hierarquia e a disciplina têm sido suficientes para enfrenta-la, é o exemplo do emprego da FFAA, dado um fator do mais delicado do exercício do poder – a crise de autoridade-.

Ao deslocar o poder de punir para o Estado, o pacto social estabelecido pede sua contrapartida: o legitimo e regular uso dos meios necessários na manutenção da paz social. Somente assim o povo respeitará àqueles que exercem parcela desse poder/dever, obedecendo-lhes conscientemente.

Os líderes que temos nesse cenário político são o espelho do que temos na sociedade. E esta saqueia a própria desmoralização, subverte, se desmoraliza por vinténs políticos e discursos demagógicos. Enfim, parece agir sem consistência civilizatória.

Sem descuidar dos conceitos de democracia em Platão e Aristóteles, desde a Grécia antiga sua forma de atuação vem sendo modificada ao longo dos séculos. Inicialmente, participação popular direta e, anos após anos, seu aperfeiçoamento fez-se chegar à participação indireta através dos representantes do povo.

Leia Também:  Raízes da corrupção do Rio de Janeiro (II)

E neste exato momento, perderam-se os conceitos e formas, sem que saibamos o que significa obedecer a quem não tem ou não exerce autoridade. A lei, mera tinta no papel, não obriga a mais ninguém.

Criminosos bradando siglas de organização criminosa em audiência criminal, policiais que não conseguem chegar (o Estado não tem controle, portanto), sem antes munirem-se de armamentos pesados e blindados, ao topo de um morro carioca, saques nas ruas, o Exército sendo chamado para exercer função atípica de segurança pública etc., a quem mais querem desmoralizar?

Aproveitando o centenário de Paulo Freire, o que ele diria? Provavelmente: “Ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho: os homens se libertam em comunhão” (Pedagogia do Oprimido).

A caneta e as leis estão ficando fora de moda; voltemos para a caverna. Platão é atual.

Gonçalo Antunes de Barros Neto é juiz e tem formação em Filosofia.

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Opinião

Na véspera do encerramento da CPI, o “atordoado” Renan admite que as acusações contra Bolsonaro podem mudar

Renan parece que termina a CPI totalmente perdido, sem saber ao certo quais as acusações fará contra o presidente Jair Bolsonaro.

O senador alagoano foi por diversas vezes desmoralizado durante a CPI e qualquer que sejam as suas acusações estarão certamente totalmente desprovidas de credibilidade.

Perante a população, Renan sai da CPI ainda mais minúsculo, com o seu imenso mau-caratismo exposto para todo o país.

O desfecho de um de seus últimos embates na CPI, contra o empresário Luciano Hang, foi catastrófico para as suas pretensões malignas. Saiu claramente derrotado e desmoralizado, ao vivo, em rede nacional.

Afoito, mas sem estratégia, resolveu alardear os “crimes” pelos quais o presidente da República seria acusado. Teve que providenciar um humilhante recuo.

“Estou aberto a qualquer ponderação, desde que não venha a ferir a lógica. Mas este não será um relatório do Renan, mas de toda a comissão. Sempre foi meu compromisso”.

E complementou:

“A lista de crimes pode ser modificada daqui para frente. Podemos acrescentar e retirar se for o entendimento da maioria da comissão. É certo que ele prevaricou à medida que ele confessou a existência da conversa com os irmãos Miranda, e que teria pedido a pessoas encaminhamento de providências. Se essas pessoas não encaminharam providências, é óbvio que ele prevaricou”.

Quanta mediocridade!

Leia Também:  Raízes da corrupção do Rio de Janeiro (II)

Quanta safadeza!

Quanta insensatez!


Gonçalo Mendes Neto,
Jornalista.

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

vídeo publicitário

LEGISLATIVO

EXECUTIVO

JUDICIÁRIO

GERAL

MAIS LIDAS DA SEMANA