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EMANUEL FILARTIGA

Direitos Humanos (das gentes)

Os direitos humanos são construção histórica. Do mesmo modo a construção da dignidade…humana: é luta diária, é cultura. Estão sendo gestados permanentemente pelas diversas gentes em suas diversidades.

Raiam da rebeldia, da insurreição, da luta contra a “ordem” que não aceita, não dá lugar, vida, direitos a alguns humanos.

Foram feitos do sofrimento de muita gente, numa espécie de ira santa. A raiz dos direitos humanos está nas lutas das gentes que fizeram e continuam fazendo esses direitos. Ali está a fonte principal para dizer o sentido dos direitos humanos.

Montaigne lembra que cada ser humano leva em si a forma inteira da humana condição.

Ora, direitos humanos é termo que foi inventado, não é um dom reservado para alguns, não é uma fita de DNA rara. Não está nas Declarações e Constituições porque, alguns, “sentados em confortáveis poltronas cidadãs”, resolveram lá colocar. Não nos entregaram os direitos humanos de presente, por gentileza. As pessoas, na vida real, com suor e lágrimas no rosto, e sangue, criaram o conteúdo desse termo inventado.

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Os direitos humanos são construção histórica. Do mesmo modo a construção da dignidade
Não é conceito sem vida, em estado de dicionário jurídico. Vivemos os direitos humanos; os criamos; os tocamos; os sentimos. Reivindicamos! Exigimos! Por nós, por todas as gentes, sempre, em todos os lugares!

Os direitos humanos são, quando sustentamos posturas, desenvolvemos nossas atitudes, quando nos construímos como sujeitos inteiros, agentes da história. Não somos cliente, somos sujeitos, artistas dessa obra inacabada.

Visões mercantilistas, fragmentárias, geracionais, estagnadoras e elitistas de direitos humanos são comuns. Elas distanciam a vida dos direitos humanos da vida das gentes e de cada pessoa. Querem separar o artista da obra!

Eleanor Roosevelt, ativista e anteriormente primeira-dama dos EUA, lembrou por onde andam os direitos humanos:

“Em pequenos lugares, perto de casa — tão perto e tão pequenos que eles não podem ser vistos em qualquer mapa do mundo. No entanto, estes são o mundo do indivíduo; a vizinhança em que ele vive; a escola ou universidade que ele frequenta; a fábrica, quintal ou escritório em que ele trabalha. Tais são os lugares onde cada homem, mulher e criança procura igualdade de justiça, igualdade de oportunidade, igualdade de dignidade sem discriminação. A menos que esses direitos tenham significado aí, eles terão pouco significado em qualquer outro lugar.

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Vale a pena lutar pelos direitos humanos?! O que você acha, amigo leitor?

Esperança, do verbo esperançar (não do verbo esperar), não é um dos trinta direitos humanos que as Nações Unidas proclamaram no final de 1948. Mas sem ela não haveria outro dia, outra luta, outro direito.

Aos que perderam a esperança, escreveu Mario Quintana: Se as coisas são inatingíveis…Ora! Não é motivo para não querê-las… Que tristes os caminhos, se não fora a mágica presença das estrelas!

Emanuel Filartiga Escalante Ribeiro é promotor de Justiça em Mato Grosso.

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Opinião

Além do programa eleitoral

A partir de eleição do presidente Fernando Collor de Mello em 1989, o marketing político foi introduzido na política brasileira em tempos de eleições. Naquela eleição criou-se um modelo de propaganda desconhecida no Brasil, que deu aos candidatos a cara de um produto de consumo.

Collor contratou o marqueteiro Chico Santa Rita, fortemente influenciado pelo marketing recente na eleição nos EUA. Apresentou ao país um super-herói, vestido com camisetas esportivas, olhar duro firme no horizonte, e palavras duras.

Pois bem. Estamos diante do segundo turno nas eleições de prefeito de Cuiabá. O programa eleitoral gratuito, garantido por lei, parece uma prateleira de supermercado. Ideias vendidas em gôndolas com açúcar, sem açúcar, dietéticas, com gordura trans, com álcool e sem álcool. Na prateleira o produto é um.

Na vida real é outro para os próximos quatro anos. Rótulos antigos.

Digo isso, porque Cuiabá é uma cidade dupla. Numa, moram 603 mil cidadãos, dos quais 378 mil são eleitores. Tem endereço e pagam IPTU na cidade.

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A partir de eleição do presidente Fernando Collor de Mello em 1989, o marketing político foi introduzido na política brasileira
Mas tem a outra Cuiabá, a política. Ela é sede do poder político que governa Mato Grosso: governo do Estado, Legislativo, Judiciário, etc.

Na prática isso funciona na forma de prestação de serviços políticos e de apoio aos negócios de todo o Estado. Muitas grandes empresas estão sediadas na capital justamente por isso. O tem isso a ver com a eleição deste próximo domingo?

O futuro de Mato Grosso é cristalino como um grande receptor de investimentos nos próximos anos. Quatro anos perdidos representam uma eternidade.

O crescimento do interior refletirá na capital. Ela precisará ser cada vez mais uma cidade moderna e preparada para o mundo dos negócios do futuro próximo.

Aqui encerro. Os programas do horário eleitoral gratuito desta eleição não foram além das prateleiras de um mercadinho de bairro. Desconsiderou-se o futuro da cidade e do Estado. Programas pobres de ideias. Pobres de conteúdo. Pobres de propósitos. Pobre Cuiabá!

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Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso.

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