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WENCESLAU JÚNIOR

Bons ventos para os negócios digitais

José Wenceslau de Souza Júnior*

Nos últimos dois anos, o mundo enfrentou muitas adversidades. Crises políticas, econômicas, sociais e sanitárias. A pandemia da Covid-19 desestabilizou a economia e fez com que todos transformassem hábitos, conceitos e atitudes para lidar com os novos desafios. Nesse contexto, o mercado digital teve o seu crescimento acelerado, principalmente em função do home office e do isolamento e distanciamento social.

Para se ter uma ideia, em 2020, o e-commerce brasileiro obteve um faturamento de R$ 126,3 bilhões, segundo dados da NeoTrust, uma das principais fontes para quem trabalha com mercado digital. Esse estudo revelou, ainda, que 47%, ou seja, quase metade dos brasileiros fizeram sua primeira compra on-line no ano passado, inclusive, faço parte dessa estatística, pois até então, não havia feito nenhuma compra pela internet.

A pesquisa ‘Perfil do E-Commerce Brasileiro’, realizada pelo PayPal Brasil em parceria com a BigDataCorp, revela que em 2021, o Brasil alcançou a marca de 1,59 milhão de lojas on-line, alta de 22,05% na comparação com 2020. Com o avanço, é possível afirmar que o consumidor brasileiro está se familiarizando com as compras on-line e, consequentemente, gerando um volume expressivo nas vendas.

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Ciente da importância e da evolução do e-commerce, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado (Fecomércio-MT) tomou a decisão de lançar um produto inovador, que será um divisor de águas para o comércio mato-grossense. A ideia é contribuir para alavancar os negócios principalmente de pequenas e médias empresas que, muitas vezes, são carentes em investimentos de tecnologia.

A Feshop que será lançada no próximo dia 6 de novembro, durante o maior evento de startups do mundo, o Sturtup Weekend Retail, é uma loja virtual que concentrará uma infinidade de produtos dos comerciantes do nosso estado. Será a primeira plataforma on-line criada por uma federação, onde contemplará todo o ecossistema de vendas, com soluções integradas com mídias sociais, Chatbot de WhatsApp, logística de frete e pagamento por meio de link e QR Code.

Com esta ação, a federação, que é maior entidade representativa do comércio, pretende ficar ainda mais próxima dos comerciantes, investindo na evolução digital e contribuindo para que as empresas também tenham uma conexão ainda mais próxima com o seu cliente. Para os negócios que ainda não migraram para o digital, essa é uma grande oportunidade para o empreendedor garantir presença e obter os benefícios desse mercado.

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*JOSÉ WENCESLAU DE SOUZA JÚNIOR é presidente da Fecomércio, Sesc, Senac, IPF e Sindcomac em Mato Grosso, e comerciante há mais de 40 anos

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Opinião

O Filho morreu, e daí?

Por Rui Matos*

 “Tudo o que fomos permanece na despedida. O que juntamos é o que vai na partida”

Quando a voz de besouro do locutor da única rádio da pacata cidadezinha nos cafundós do interior rasgou a madrugada anunciando que já era quase cinco horas da manhã, Zé e Mané já estavam na pracinha do centro. Centro e periferia se confundiam, separados apenas por uma rua calçada com pedras irregulares.

Sentados no banco de cimento que ainda não estava marcado pelo cocô dos pombos, mantinham-se atentos ao que ouviam apesar do chiado que partia de forma impositiva de outro combalido rádio que descansava preguiçosamente sobre o balcão da padaria. Das duas faces da porta de madeira do estabelecimento, apenas uma estava aberta permitindo que a voz rouca com a notícia triste tomasse a rua junto com o filete de luz que clareava a calçada.

Era o anúncio da morte de Filho. Burburinhos já se formavam nas esquinas e os moradores debruçados nas janelas se encarregavam de espalhar a notícia que todos já sabiam.

– Perder o Filho foi triste, né?

– Deixe de ser Mané. O doutorzinho não está nem ai. Lamentar por quê?

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– Você se acha o Zé, né? Insensível. Ele tirou o Filho das ruas e o criou. Não foi assim? – questionou Mané com o coração em pedaços, após também quase encontrar a morte pela contaminação com o Coronavírus.

O sol já queimava o rosto e o lero-lero entre Zé e Mané continuava. A voz mansa deu lugar a gritos que saltavam das bocas sem receio de incomodar as senhoras que se amontoavam logo atrás para ouvir a blá-blá-blá. Foi quando Mané olhou sobre os ombros e tomou para si o controle da falação, fazendo o grupo se dispersar.

– Já viu o doutorzinho levar o Filho pra passear na praça?

– Putz! Não. Nunca vi. Mas acho que a culpa foi da Covid-19, que espantou quase todos das ruas – justificou com os braços abertos, enfiando a cabeça entre os ombros.

– Das poucas vezes que o vi com o Filho, o pobre coitado estava fedendo de tão sujo.

– Ô Mané!!! Foi a Covid que o deixou assim, todo meloso? Ou está se sentindo vítima por morar na periferia?

– Ora, ora! Como se morar no centro fizesse alguma diferença. Talvez tenha sido sim, a Covid. Vi pela televisão que muita gente morreu. Eu mesmo quase parti dessa vida. Logicamente que mudei minha forma de pensar e agir depois de tudo isso. Sobrevivi, né?

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– Então! – completou Zé com semblante de riso.

– Então nos preocupamos cada um por si e nos esquecemos do coletivo. Filho era parte dessa cidade e nos trouxe muitas alegrias. Estou errado?

– Errado não está, mas também não está certo. Afinal, Filho não foi mais importante do que qualquer outro finado durante essa pandemia – esbravejou ao se levantar, batendo a poeira da bunda com as mãos.

– Ao menos, Filho me fazia rir, brincava comigo. Até falava alguma coisa quando escapulia pelo portão, acho! – acreditou Zé, olhando Mané abrir a boca para interrompê-lo.

– Certamente o doutorzinho irá arrumar outro vira-lata. Filho morreu, e dai? Estamos vivos. A vida continua – sentenciou.

– E daí, que tudo o que fomos permanece na despedida. O que juntamos é o que vai na partida. A saudade fica, até mesmo a de um vira-lata. Que Deus o tenha.

 – Bora trabalhar, pois, sol madrugueiro não dura o dia todo – disseram juntos.

 *Rui Matos é jornalista e escritor – Instagram: @rui.matos.escritor

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