Gilmar Mendes: forças políticas não podem tratar Forças Armadas como milícia

Em entrevista à Rádio Guaíba, ministro exaltou regime democrático e rechaçou golpe militar no país

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes assegurou, nesta quinta-feira, que as instituições seguem atuando com independência dentro do regime democrático. Gilmar falou para o Esfera Pública, da Rádio Guaíba, no início desta tarde. Mesmo que a democracia venha sendo alvo de ataques entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, o ministro rechaça a possibilidade de o país viver um novo golpe militar.

“Eu tenho a impressão que as instituições estão fortes e têm dado as devidas respostas. Eu já disse que é um acinte, uma ofensa usar as Forças Armadas para fechar o Supremo Tribunal Federal. É como se essas forças políticas, eleitorais e partidárias tivessem as Forças Armadas como milícias suas. As Forças Armadas são instituições da nação para defesa da Pátria e dos poderes constitucionais”, alertou.

Gilmar Mendes também defendeu que qualquer movimento ilegal deva ser duramente combatido. “Milícia é outra coisa. É organização criminosa, e que precisa ser combatida”, completou.

Em função do agravamento da crise política, o ministro reconheceu que o Brasil passa pelo pior momento da história. “Sem dúvidas, o período final do governo Dilma foi um período bastante tumultuado. Mas nada parecido com o que estamos vivendo. É um coquetel de crises: temos a crise da Covid-19 e a crise política. Está tudo tumultuado”, resumiu.

Gilmar Mendes também repudiou duramente as declarações do presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, que ao posar com um fuzil, pediu para Bolsonaro ‘demitir’ ministros do STF. “Foi mais uma declaração infeliz de alguém que está na base de apoio do governo. É um nonsense completo imaginar que o Supremo está impedindo o governo de governar. Roberto Jefferson foi condenado no Mensalão”, recordou.

Para o ministro do STF, “Bolsonaro é um produto da Lava Jato e a operação é pai ou mãe desse autoritarismo que se vive no país”. O ministro, que virou alvo de um pedido de impeachment em função das críticas à ofensiva, reforçou que atua apenas com amparo constitucional. “Eu procuro não levar isso em conta, obviamente. Não me abala, continuo decidindo da mesma forma. Estou absolutamente tranquilo em relação a minha posição”, assegurou.

Sobre o enfrentamento do Brasil à pandemia de Covid-19, o magistrado criticou políticas adotadas pelo Palácio do Planalto. “É grosseiro não seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde”, sintetizou.

Confira a entrevista na íntegra: