Partido de Bolsonaro tenta aumentar estrutura de coleta de assinaturas

O Aliança pelo Brasil, partido que o presidente Jair Bolsonaro está criando, estuda formas de aumentar sua estrutura de coleta de assinaturas. O grupo corre contra o tempo: é necessário que 500 mil sejam recolhidas e validadas até abril para a legenda poder participar das eleições municipais deste ano.

Hoje, há cerca de 1.000 pessoas trabalhando sistematicamente, de acordo com o publicitário Sergio Lima, 1 dos coordenadores da operação. Eles recebem em uma caixa postal em São Paulo fichas de apoiamento enviadas de outros locais, checam se a assinatura tem firma reconhecida, separam por zona eleitoral e fazem os documentos chegarem aos respectivos cartórios para serem computados pela Justiça Eleitoral.

A expectativa dos correligionários de Bolsonaro é de que o número de pessoas trabalhando de forma sistemática pule para “vários milhares”.

Nos próximos dias, o Aliança Pelo Brasil deverá divulgar em seu site uma espécie de manual –que está em fase final de elaboração. O documento explicará, por exemplo, os padrões a serem seguidos para que seja promovido evento de coleta de assinaturas.

A providência também servirá para inibir a aplicação de golpes. A cúpula do novo partido se preocupa com a possibilidade de pessoas arrecadarem fundos em nome da sigla e embolsarem o valor.

A ideia é que haja pequenas estruturas espalhadas pelo país –por exemplo, na sala da casa de apoiadores– também em condições de dar encaminhamento às assinaturas recolhidas. Até mesmo capacitações presenciais estão sendo cogitadas, mas para o futuro.

De acordo com Lima, ainda não há dinheiro disponível para a estruturação das coletas. Segundo ele, os advogados Admar Gonzaga e Karina Kufa trabalham para viabilizar o recebimento de doações pelo partido. “A vaquinha tem que ser registrada no TSE”, explica.

O publicitário disse ao Poder360 que, até o meio de fevereiro, o partido deverá ter conseguido todas as assinaturas necessárias. “A máquina começou a girar agora”, afirma.

Em janeiro, o Aliança pelo Brasil passou a promover eventos nos Estados para se divulgar e coletar assinaturas. O 1º foi em Fortaleza, onde teriam sido arrecadas 1.500.

As assinaturas angariadas nesses eventos ainda não foram computadas, e estão fora da contagem de 172.000 citada por Sergio Lima.

Partidos recentemente criados tiveram cerca de metade das assinaturas recolhidas invalidadas. Por isso o Aliança pelo Brasil pede que o apoio seja dado com firma reconhecida. Apenas quando a Justiça Eleitoral avaliar as fichas é que será possível saber em que medida o movimento foi bem-sucedido.

Eleito pelo PSL, o presidente Jair Bolsonaro decidiu criar o Aliança pelo Brasil depois de 1 racha em seu partido anterior. A escaramuça se tornou pública em outubro de 2019, quando ele foi filmado dizendo que o presidente da sigla, deputado Luciano Bivar (PE), estava “queimado pra caramba”.

PARTIDOS ACIONAM CNJ

Diante da crescente operação do Aliança para colher assinaturas, o PT, o PSB, o PDT, o Psol e o PC do B recorreram nesta 4ª feira (15.jan) ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) para que o conselho proíba o apoio de Cartórios de Notas em ações para filiação ao novo partido de Bolsonaro.

As agremiações reclamam de parceria do Aliança com o CNB (Colégio Notarial do Brasil), que representa 9.000 notários em 24 Estados, para que estes trabalhassem pela coleta de assinaturas necessárias para a criação da nova sigla.

“Não se pode ignorar o fato de que o partido político em que os notários estão atuando em favor possui peculiaridades que evidenciam a necessidade ainda maior de respeito à imparcialidade, podendo o seu favorecimento configurar como ato irregular que ofende a coisa pública”, afirmaram os partidos ao CNJ, que é corregedor dos Cartórios de Notas (que são concessões públicas e, por lei, não podem exercer atividades de natureza político-partidária).

Poder360

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