Selma cita pressão e revela grito de filho de Bolsonaro ao telefone

A senadora Selma Arruda (PSL) admitiu, em entrevista à Folha de S. Paulo, que está sofrendo pressão para retirar sua assinatura do pedido de instalação da CPI da Lava Toga e isso lhe causou, inclusive, um atrito com o filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o senador Flavio Bolsonaro (PSL).

Segundo Selma, Flavio foi um dos que lhe pediram a retirada da assinatura, assim como o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM).

Questionada pelo jornalista Daniel Carvalho, a senadora chegou a afirmar que era melhor não dar detalhes da conversa, mas acabou revelando que o filho do presidente estava “chateado” e chegou a gritar com ela ao telefone.

“Ele estava um pouco chateado. Alguém disse para ele que nós tínhamos assinado uma CPI que iria prejudicar ele e ele falou comigo meio chateado, num tom meio estranho. Eu me recuso a ouvir grito, então, desliguei o telefone”, afirmou a senadora durante a entrevista.

Ela afirmou não ter dado muita atenção ao episódio e disse também não compreender os motivos que levaram Flavio a tratá-la de tal maneira, já que ela o considera uma pessoa “agradável e simpática”.

Também durante a entrevista, Selma disse que após esse telefonema não teve mais contato com o colega senador.

Ainda segundo ela, não há elementos que a levem crer que o pedido feito por Flávio tenha tido a anuência do presidente Jair Bolsonaro.

Mandato em risco

À Folha, a senadora afirmou também que muitos dos “alertas” que têm recebido para retirar a assinatura da CPI são acompanhados de um “lembrete” do processo que ela responde por caixa 2 e abuso de poder econômico nas eleições de 2018.

Selma teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT) e, nesta semana, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, emitiu parecer pela cassação da senadora e realização de novas eleições em Mato Grosso.

“A pressão [para retirada da assinatura] vem de todo lado. A gente sofre um bombardeio. Na quarta-feira (11), um dos senadores que assinou também relatou que está sendo pressionado. Mas, das pessoas que assinaram, a mais vulnerável sou eu porque tenho um processo na Justiça. Fico sendo sempre a mais atingida”, admitiu ela.

“Tenho recebido alguns recados até mais, digamos, chatos, tipo ‘cuidado, você tem um processo, tira a assinatura’. Não vou tirar não. Prefiro perder o processo”, acrescentou.

Por fim, Selma disse não concordar com o argumento usado por alguns de seus colegas de que a CPI vai trazer instabilidade para o Brasil porque vai mexer com a integridade das instituições: “Não acredito nisso”.

 

 

 

Fonte: Mídia News | Foto: Pedro França/Agência Senado

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