Governo Bolsonaro cria “cortinas de fumaça sucessivas”, diz João Campos

O deputado federal João Campos (PSB-PE) diz que o governo atual destrói políticas sociais “em uma velocidade muito rápida” e representa 1 grande risco para o Brasil. “Bolsonaro se elegeu sem 1 projeto de país. Não enfrenta os principais problemas brasileiros. Fica apenas em políticas vazias e superficiais”, declarou em entrevista.

Campos tem 25 anos e é filho de Eduardo Campos –político que foi candidato à Presidência em 2014, também pelo PSB, e morreu em acidente de avião durante a campanha. É engenheiro civil e, durante a graduação, estudou a área de recursos hídricos e projetos de pesquisa.

O congressista está em seu 1º mandato na Câmara. Na entrevista ao Poder360, disse que pretende realizar 1 mandato “respondendo ao povo de Pernambuco”. Campos foi o deputado mais bem votado da história do Estado –recebeu 460,3 mil votos.

Dois projetos de lei do engenheiro civil foram aprovados no Congresso durante o 1º semestre. Um deles (PL 2586/2019) propunha alteração na Lei Maria da Penha: 1 agressor, quando tiver porte ou posse de arma, terá o item recolhido em até 48 horas.

A 2ª diz respeito sobre a modernização na lei de segurança de barragens. Campos integra a Comissão de Brumadinho. Conseguiu aprovar na Casa parâmetros de segurança ambiental de acordo com o ponto de vista da engenharia –sua formação principal. “Na engenharia, a solução insegura jamais pode ser uma solução apresentada como uma proposta”.

O deputado acredita que a agenda do partido no 2º semestre deve se concentrar na questão regional, envolvendo, principalmente, o Norte e o Nordeste. Segundo Campos, isso se deve pelo governo atual “estar fazendo 1 ataque frontal aos fundos constitucionais”, como o FNE (Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste).

“Só no meu Estado [Pernambuco] são R$ 2 bilhões por ano, colocados principalmente no microcrédito, no pequeno agronegócio (da agricultura familiar), no turismo, no comércio. O governo fazendo isso acabará com o Banco do Nordeste e consequentemente acabará com a oportunidade de distribuição de renda para muitos nordestinos”, disse.

INÍCIO NA POLÍTICA

Filho de Eduardo Campos, João afirma que a história de sua vida “se mistura com a própria política”. Quando nasceu, seu pai já era deputado federal. Segundo ele, Eduardo “se dedicou a duas coisas na vida: à família e à política”. O congressista disse que cresceu acompanhando o pai tanto como ministro, governador, deputado e candidato à Presidência em 2014.

“A gente via ele fazer aquilo com muito entusiasmo, com muito gosto. […] A gente sempre gostava de estar junto e de ver a realização na ponta. Não só aquilo sendo pensado, mas principalmente executado e transformando a vida das pessoas quando se concretizava numa política pública”, disse. Completou creditando o pai pelo seu gosto por uma “atividade, quando bem exercida, que consegue transformar a vida das pessoas”.

PAPEL DO PSB

Como integrante do PSB, Campos diz que sua sigla atua como 1 braço da resistência. Afirma que possui 1 papel importante principalmente no que tange aos “compromissos sociais para garantir que o enfrentamento à desigualdade social seja a bandeira máxima do partido e que deveria ser a agenda principal do país”.

RELAÇÃO DOS PARTIDOS DE OPOSIÇÃO

Campos afirma que tanto ele como o PSB têm boas relações com os partidos de esquerda, de centro e da base do governo.

“A política precisa, mais do que nunca, pessoas capazes de construir pontes. Se formos trabalhar construindo muros, eles se agregam, isolam, separam. Impedem que você enxergue o outro lado. […] É 1 desafio da própria oposição construir 1 canal de diálogo com quem pensa diferente para tentar fortalecer o trabalho da própria oposição”, disse.

CONTIGENCIAMENTO EM CIÊNCIA

O deputado foi responsável por emenda aprovada em 14 de agosto. A proposta garante o uso de recursos previstos na LOA (Lei de Diretrizes Orçamentárias) destinados à pasta de Ciência e Tecnologia, prevenindo possíveis contingenciamentos.

“Não tem como pensar em futuro, desenvolvimento e crescimento econômico e social de 1 país se não tiver investimentos robustos em ciência, tecnologia e inovação. No gráfico dos maiores PIBs do mundo, as nações que têm maior número de publicações científicas são exatamente as mesmas”, argumentou.

DEPUTADOS A FAVOR DA PREVIDÊNCIA

Questionado sobre a decisão do PSB de expulsar os congressistas que votaram a favor da reforma da Previdência, Campos afirma que a sigla “tomou a decisão correta, de acordo com sua história”.

“O partido nunca negou a necessidade de se discutir uma reforma previdenciária. Mas a reforma construída foi muito perversa”, disse.

QUIZ DO PODER

Em 1 bate-volta o deputado foi questionado se era contra ou a favor de 9 temas significativos. Leia abaixo as posições do congressista.

  • Flexibilização do aborto: contra“Acho que a legislação atual já cumpre bem seu papel”.
  • Liberação do consumo recreativo de drogas mais leves: a favor“Já chegou a hora do Brasil enfrentar esse debate e buscar uma solução”.
  • Autonomia política e operacional ao Banco Central: contra. “Já existe uma certa independência. Ter uma autonomia, em 1 momento como esse, não sei a quem interessa”.
  • Liberação do porte de armas: contra“A legislação brasileira já é muito permissiva. O que a gente deve fazer é diminuir o número de armas em circulação”.
  • Escola sem Partido: contra“O projeto já nasce errado pelo nome. Defendemos a liberdade do professor, liberdade ao contraditório, a valorização”.
  • Sistema de capitalização: a favor“Tenho certeza que mais de 90% da população adoraria se libertar do sistema do INSS e ter a poupança garantida”.
  • Maioridade penal: contra. “Isso não é solução. É uma estratégia midiática de não enfrentar 1 problema e correr dele. […] Temos que ver a periferia como uma oportunidade e não como 1 problema brasileiro”.
  • Redução do número de deputados no Congresso: contra. “A gente tem que tornar o trabalho da Câmara e de todos os Legislativos do país mais efetivo e dinâmico”.
  • Imunidade tributária a igrejas: neutro. “Podemos discutir isso e ver a quem isso interessa e a quem isso serve. […] Se não for para fins sociais, acho que isso não.

 

 

Fonte: Poder 360 | Foto: Sérgio Lima

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