Jayme muda o tom e diz que indicação de Moro ao STF é direito do presidente

O senador por Mato Grosso, Jayme Campos (DEM), parece ter mudado o tom das críticas contra o ministro da Justiça, Sérgio Moro, após tecer duros comentários contra a declaração do presidente Jair Bolsonaro (PSL), quando confirmou que indicaria Moro à uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Nesta sexta-feira (14),  já em um tom mais sereno e longe das polêmicas que costuma protagonizar, o senador democrata afirmou  que não poderia afirmar se, de fato, houve algum tipo de acordo nesse sentido, e que ainda seria muito cedo para falar em vaga do STF.

 

Ainda que o ministro, decano do Supremo, Celso de Melo, possa se aposentar em novembro de 2020, quando completa 73 anos. De acordo com as normas atuais, um ministro se aposenta, no máximo, com 75 anos.

 

“Eu não sei se o Moro tem acordo. É uma decisão da presidência da República indicar ou não em um segundo momento, até porque a vaga nem existe ainda. A vaga talvez saia o ano que vem. Então, falar desse assunto é muito precoce, porque até pode aparecer uma nova emenda da constituição que a idade de ministro é 75 anos, mas pode passar para 80, então acho que falar desse assunto é prematuro”, desconversou o senador.

 

A manobra seria parte do acordo para aceitar o cargo de ministro da Justiça no seu governo, já que o ex-juiz federal que comandou a Lava Jato e condenou o ex-presidente Lula à prisão, teria que abbrir mão constitucionalmente do seu cargo de juiz. Recentemente, Jayme declarou que a indicação seria “imoral” e “não republicana”. As declarações tiveram repercussão entre o meio político e Jayme foi tema até de uma carta de repúdio, assinada pelo deputado estadual Sílvio Fávero (PSL). Veja a nota no fim da matéria.

 

COAF 

 

Outro tema que Jayme optou por colocar ‘panos quentes’ é sobre a transferência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça e Segurança Pública para o Ministério da Economia, impondo derrota ao presidente Bolsonaro. Com a saída do Conselho, o órgão saiu do controle do ministro Sérgio Moro. Jayme foi um dos que votaram pela derrubada da indicação presidencial.

 

“Eu votei favorável para que o Coaf voltasse ao Ministério da Economia e deixei isso claro, e depois o próprio presidente entendeu que deveria votar da forma como tinha sido encaminhado pela Câmara. Isso mostra que tínhamos toda razão, que No mundo todo o COAF é ligado ao Ministério da Economia. Agora, quando me indagam em relação a esses acordos, eu não sei”, declarou ele.

 

Dos três representantes de Mato Grosso que fazem parte da comissão, o senador Jayme e o deputado federal Valtenir Pereira (MDB) votaram pelo Coaf no Ministério da Economia. A senadora Selma Arruda (PSL), que integra a base de Bolsonaro, votou para mantê-lo no Ministério da Justiça.

 

Moro havia argumentado que a permanência do Coaf na sua pasta seria estratégica no combate à corrupção e crimes de lavagem de dinheiro.

 

Confira a íntegra da nota de Fávero enviada à imprensa há cerca de 30 dias: 

 

Em respeito aos mato-grossenses, em especial aos eleitores do presidente Jair Bolsonaro, decidimos emitir uma nota em resposta às últimas declarações do Senador Jayme Campos: Jayme acusou Jair Bolsonaro e Sérgio Moro de práticas, segundo o senador, “não republicanas” quanto a possível nomeação do ex-juiz e atual Ministro da Justiça para Ministro do STF na vaga que deverá ser aberta com a aposentadoria de Celso de Mello.

 

Pois bem, vamos pontuar de forma didática uma resposta a essa acusação absurda do senador de Várzea Grande contra o Presidente da República e ao Ministro da Justiça. Não há nada de ilegal quanto à afirmação do Presidente em desejar ver Sérgio Moro como Ministro do STF.

 

A possível escolha do honrado ministro Moro para uma vaga no STF é de livre indicação do Presidente Bolsonaro; e deverá ser chancelada pelo SENADO FEDERAL, considerando a capacidade técnica e histórico digno do Sérgio Moro. Jayme Campos, qual a acusação quanto à capacidade técnica e reputação ilibada em relação ao ex-Juiz Sérgio Moro?

 

É importante que o senador Jayme exponha, com mais clareza, seu descontentamento contra o Ministro Moro, que aponte os deméritos ou algo que desabone a imagem do homem da Lava Jato! Se o Jayme acredita que o Ministro do Governo Bolsonaro não seja um homem honrado, jurista técnico e honesto, então que coloque seu ponto de vista e apresente isso a toda população; ao invés de fazer ilações irresponsáveis e transformando o fato em um mero palanque de revanchismo e frustração política, estritamente pessoal.

 

Há poucos dias o senador Jayme votou contra a permanência do COAF junto ao Ministério da Justiça de Sérgio Moro. A população precisa saber que este órgão é aquele que investiga movimentações financeiras suspeitas, movimentações criminosas, desvios de dinheiro público, bem como lavagem de dinheiro e evasão de divisas*.

 

Jayme surpreendeu quando respondeu a população que repudiou, em sua maioria, o seu voto contra o Sérgio Moro; o Senador Jayme, em sua resposta, disse que não se importa com a opinião, segundo o próprio senador, de “meia dúzia de gente sem ter o que fazer”, como se os críticos fossem pessoas desocupadas e ignorantes. Façamos qualquer consulta pública, e não há a menor dúvida de que Sérgio Moro se tornou um herói nacional por sua coragem, capacidade técnica e honra.

 

No dia 16 de outubro de 2018, durante a campanha eleitoral, o então candidato a presidente da República Jair Bolsonaro declarou, em entrevista ao SBT, que a intenção seria indicar um nome com o mesmo perfil do Juiz Sérgio Moro para o STF. E, na ocasião a população chancelou tal sugestão do Bolsonaro, elegendo-o como presidente do Brasil. Então, o Sérgio Moro não será simplesmente uma escolha do Presidente Bolsonaro; Moro já foi escolhido Ministro do STF pela própria população em outubro de 2018.

 

Portanto, não há surpresa nenhuma nessa fala de Bolsonaro, ressalvado o fato do Senador desconhecer tal declaração de Bolsonaro. Aonde estava o histórico Senador Jayme Campos quando o ex-presidente Lula (atualmente preso por crimes de corrupção) indicou Dias Toffolli para o STF, que era advogado do PT e amigo pessoal de Lula; aonde estava o senador Jayme quando Dilma indicou Roberto Barroso ao STF, um homem declaradamente contra os valores da família, a favor da legalização de drogas e do aborto?

 

 

Crédito: O Bom da Notícia

Foto: El País

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