Mendes cita ações: “Se chega ordem, nomeio para não ser preso”

O governador Mauro Mendes (DEM) afirmou ter determinado um levantamento a respeito do quadro de servidores públicos do Estado para apurar o real déficit de pessoal no Executivo.

 

Em evento com prefeitos na quinta-feira (16), Mendes demonstrou sua preocupação com a situação, já que, frequentemente, o Estado é alvo de ações que pedem a nomeação de servidores, em que pese a grave situação das finanças de Mato Grosso.

“Estava agora há pouco no Governo numa reunião com todo o primeiro escalão. Eu dizia aos secretários que recebo todos os dias pedidos de mais pessoal. É o delegado geral que fala que precisa de delegados, é o comandante da PM que precisa de mais policiais…. Vou determinar o levantamento de toda essa demanda reprimida de servidor público”, disse Mendes.

“Porque o Ministério Público também fica me pedindo, porque ele tem ações transitadas em julgado que determinam o Estado a contratar mais gente. Toda hora chegam pra mim ações judiciais que eu tenho que nomear pessoas. E eu pego aquilo e coloco num cantinho. Na hora que chegar uma ordem de prisão, não vou deixar ‘eu ser preso’. Aí eu nomeio”, disse o governador.

Aos prefeitos, Mendes lembrou que o Estado já enfrenta sérias dificuldades para honrar com o pagamento de salários e lembrou que nos últimos anos as despesas com a folha cresceram acima das receitas do Estado.

O governador disse ainda ter uma estimativa de que, se nomeados todos os servidores que o Estado necessita neste momento, seria necessário um incremento de R$ 1,5 bilhão na receita do Executivo.

E daí a inquietação, já que, para suprir esse montante, o Governo necessitaria de repassar o custo ao cidadão.

“Estou resistindo bravamente ao crescimento da máquina publica. O Estado não produz riqueza. Quem o faz é o cidadão. Se esse Estado é cada vez mais ineficiente, cada vez mais caro, mais nós vamos ter que pegar dinheiro no bolso do cidadão. A história é óbvia, mas o cidadão, o MPE, o Judiciário precisam entender isso”, disse.

“Todo cidadão quer mais policiais, mais médicos, professores. Mas pra arrumar R$ 1,5 bilhão sabe o que tenho que fazer, por exemplo? Pegar o ICMS da energia elétrica e aumentar 150% a conta de todo mundo. E aí, fica o questionamento se todos estão dispostos a ter conta de energia dobrada?”, acrescentou Mendes.

O governador disse que essa é a conversa franca que ele pretende manter junto à sociedade, servidores e poderes.

“Não tem milagre. Não existe dinheiro público. É dinheiro do cidadão. Se criar despesa nova no Estado, vamos ter que avançar no bolso do cidadão. Ou não teremos condição de pagar”, concluiu.

 

Crédito: Mídia News

Foto: Alair Ribeiro/

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