‘Se me dessem a mão, chamaria a polícia’, diz Kajuru sobre 4 ministros do STF

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO), 58 anos, criticou a atuação de 4 ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) –Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes. Segundo o ex-jornalista esportivo, ele sequer apertaria a mão do quarteto.

Além do STF, Kajuru também fez duras acusações contra políticos que, segundo ele, teriam tentado censurá-lo. Ainda disse que não precisa de provas para acusar de ladrão nomes como Paulo Maluf, Romero Jucá, Sérgio Cabral e Eduardo Cunha –os 2 últimos estão presos em regime fechado. No mais, não poupou ataques ao ex-governador Marconi Perillo, a quem chamou de “maior corrupto da história de Goiás”.

Kajuru destacou sua atuação presente no plenário da Casa. Com discursos diários e presença em 5 CPIs, nega ser 1 “senador visitante”. Afirmou que seu gabinete é o único local em que receberá políticos. De seus projetos, destacou o que propõe o fim da reeleição para o Executivo –com recado direto ao presidente Jair Bolsonaro, que prometeu em campanha não concorrer ao 2º mandato em 2022.

Começo na política

Depois de 40 anos de carreira na televisão, Kajuru se aposentou das telinhas em 2014. Entrou para a política em 2011, ao se filiar ao PPS (hoje Cidadania). Foi o vereador mais votado de Goiânia em 2016 e alçado ao Senado em 2018 com mais de 1,55 milhão de votos. Segundo Kajuru, a entrada na política foi para tirar legalmente os políticos que o tiraram da televisão por “censura”.

[Entrei na política] porque os políticos me tiraram da televisão. O único veículo [em] que os políticos não conseguiram me tirar do ar foi a Folha de S.Paulo. Foi o único lugar que não me censurou. No resto, toda hora vinha o dono da televisão dizer: ‘olha, o Aécio Neves, o Fernando Henrique, o Lula, o Sérgio Cabral, o Marconi Perillo… Kajuru calma, para de falar’”, afirmou o senador.

Atuação do Supremo

Para o líder do PSB no Senado, as decisões de alguns ministros do STF são “abomináveis”. Segundo ele, há 4 ministros na Corte que ele evitaria o contato.

“Não são todos os ministros [que tomam decisões abomináveis]. Dali, 7 eu daria a mão e jantaria. Quatro eu não daria a mão e eles jamais entrariam na minha casa, e se eles me dessem a mão eu chamaria a polícia”, disse Kajuru.

Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes são os 4.

O ex-apresentador afirmou que os ministros são privilegiados. E não merecem. “Eles não são intocáveis. Para mim, intocável é só Deus. Esses 4 estão mais próximos dos diabos do que de deuses”, afirma

CPI da Lava-Toga

Um dos mais ferrenhos defensores da CPI que pretende investigar a atuação de integrantes do Judiciário –em especial dos ministros do STF–, Kajuru disse que a decisão estará na mão do plenário, em voto aberto. O senador afirmou que, mesmo que a proposta seja derrubada, ele buscará outros meios de pautá-la novamente.

“Se depender do presidente, com todo respeito a ele, não vai sair, pela pressão que ele está sofrendo. Ele está segurando do jeito que pode”, afirmou.

O principal alvo das críticas do pessebista é o ministro Gilmar Mendes. Para o ex-vereador, está evidente que Gilmar “vendeu sentenças”.

“Ministro do STF, tipo Gilmar Mendes, tem senador na mão, deputado na mão, governador na mão, presidente da República na mão, empresário na mão, jornalista na mão, dono de veiculo de comunicação na mão.

Reforma da Previdência

Apesar de ainda estar em debate na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, Kajuru já tem uma opinião formada sobre seu posicionamento diante da reforma.

Na avaliação do congressista, Bolsonaro sabe que o texto atual não vai passar sem alterações. O senador afirmou que o presidente, em conjunto com o ministro da Economia, Paulo Guedes, precisa reconhecer que, apesar de poucos, os pontos negativos da reforma são “gritantes”. Kajuru mostrou sua insatisfação com a proposta do governo para o BPC (Benefício de Prestação Continuada), para idosos em condição de pobreza. Disse que votará contra a reforma se esse ponto não for alterado.

“Eu não sou imbecil, não sou débil mental. Eu vou votar contra a camada mais pobre do país?”, disse o líder do PSB no Senado.

Kajuru pediu respeito aos idosos, aposentados e trabalhadores rurais, mas contou que apoiará a reforma com as devidas alterações: “Tirando esses desacertos e desconcertos da reforma da Previdência, ela vai passar. Do contrário, não vai”. 

Projetos

Além do projeto que extingue a reeleição no Executivo e estende o mandato para 5 anos, o senador citou a proposta de criar 1 centro para diabéticos no Brasil inteiro. Como vereador por Goiânia, aprovou 1 centro na capital do Estado de Goiás.

O texto já foi aprovado por unanimidade no Senado e agora segue para a Câmara. Segundo Kajuru, o presidente Jair Bolsonaro disse a ele que sancionará o projeto caso passe pelo Congresso. “Será o 1º aprovado”, disse.

“Quarenta e oito por cento das mortes dessa país são provocadas pelo diabetes, que é a 3ª doença que mais mata no Brasil. AVC e hipertensão são as doenças que mais matam, mas as duas são provocadas por diabetes”, afirmou Kajuru, que sofre com a doença.

O que dizem os citados

O Instituto Lula afirmou, em nota, que “o ex-presidente Lula exerceu 2 mandatos como presidente, respeitando a democracia, 1 período de inclusão social, desenvolvimento econômico e prestígio do Brasil no exterior. O senador Kajuru é livre e tem imunidade parlamentar para falar as bobagens e mentiras que ele quiser para aparecer”.

As assessorias de imprensa do STF e da presidência da Corte informaram que não comentariam o caso, assim como as do deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG) e do presidente nacional do MDB e ex-senador, Romero Jucá.

Procurado, o ex-deputado Paulo Maluf não quis comentar o caso. A Fundação FHC não retornou às ligações.

Não conseguiu entrar em contato com as assessorias do ex-deputado Eduardo Cunha e dos ex-governadores Marconi Perillo (GO) e Sérgio Cabral (RJ). Assim que isso for possível, este texto será complementado.

 

Crédito: Poder 360